Garibaldi

Ao perlustrar as galerias de homens e mulheres ilustres por sua bravura, simples na maneira de ser, impávidos no lance de desbravar ínvios caminhos e tortuosos e íngremes veredas, vem ao espírito do leitor o impulso vital de busca de nossos rumos para que a infância e a juventude da Colônia Conde D’Eu, vila e cidade de Garibaldi seja digna de ter nas veias o sangues dos avós destemidos e incansáveis na sina do Bem e do Progresso.

Ir. Elvo Clemente e Maura Ungaretti – 1993

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Ao definir o local e data para celebrar a quinta festa Bortolini, houve por parte dos delegados em Jaraguá do Sul, consenso de que a região onde os Bortolini se estabeleceram por primeiro no Rio Grande do Sul seria significativo. Conhecer um pouco esta terra, sua história, sua gente e suas atrações, pode ser algo importante para todos. Assim sendo, seguem informes sobre o berço dos Bortolini e de outras famílias de imigrantes italianos, prussianos, franco-suíços, poloneses e sírios. No entanto, o interior das matas do planalto era habitado por indígenas Kaiganges(morador do mato). No tempo da chegada dos imigrantes à colônia Conde D’Eu poucos restavam na região.

SImapaTUAÇÃO GEOGRÁFICA
Situado na encosta superior do Nordeste do Rio Grande do Sul, Garibaldi estende-se por 358,90 km² numa área montanhosa, formada na era Mesozóica, apresenta camada de arenito e derrames basálticos. O solo é constituído de terra vegetal e tabatinga, característica de locais pedregosos, são de baixa fertilidade , com alto índice de acidez. Na época da colonização a vegetação era formada de mata subtropical e as elevações cobertas de araucária. O clima e o solo são fatores propícios ao cultivo da videira, do milho, do trigo e da batata.

O clima é de transição e as chuvas são regulares por todo o ano. A altitude média é de 640 metros e a temperatura oscila entre 33º e 0º C.

As coordenadas geográficas: 29º15″22″ de latitude Sul e 51º32’05” de longitude Oeste. Dista 123 km da capital Porto alegre.

BREVE HISTÓRICO
A Colônia Conde D’Eu surgiu como decorrência da política do governo brasileiro após a Independência proclamada em l822. Para tanto, enviou para o Sul da país imigrantes europeus, acostumados ao clima frio e temperado.

A região da Província do Rio Grande do Sul recebeu do Ministério dos Negócios da Agricultura em 09 de fevereiro de 1870, terras devolutas entre o rio Caí, os campos de Vacaria e o município de Triunfo, surgindo assim, a Colônia Conde D’Eu. Denominou-se Conde D’Eu em homenagem ao genro do Imperador D. Pedro II, esposo da Princesa Isabel.

As primeiras famílias destinada a Conde D’Eu chegaram a Porto Alegre em julho de 1870. Segundo registros, eram 15 famílias de origem prussiana(Códice 179-1870). Em geral os imigrantes depois de atravessarem o Atlântico eram confinadas na ilha das Flores, no Rio de Janeiro, seguindo viagem para o Sul em vapores. Chegando em Porto Alegre permaneciam, precariamente alojados, esperando conseguir lugar em barcos até Montenegro. Ainda eram necessários três a quatro dias, seguindo por uma estrada que passa por Maratá, em carroças e obrigados a carregarem nas costas a bagagem, alimentos e ferramentas. Antes de 1870 já estavam estabelecidas na região algumas famílias de origem portuguesa, além dos índios.

Em outras regiões houve também, o assentamento de imigrantes italianos: Dona Isabel, Caxias do Sul e Silveira Martins. Estes, juntamente com Conde D’Eu foram os centros principais da colonização italiana que, a partir de 1876 tiveram um desenvolvimento mais acentuado, em função do eficiente trabalho do imigrante. Sendo a principal atividade dos imigrantes a agricultura, necessitava de estradas que dessem escoamento a seus produtos. A estrada de Maratá e outras mereceram um trabalho permanente dos próprios colonos.

EVOLUÇÃO POLÍTICA E ADMINISTRATIVA
A colônia Conde D’Eu foi criada em 9/02/1870 e transformada em freguesia de São Pedro de Conde D’Eu em 1884 2º distrito de Dona Isabel (Bento Gonçalves) em 1890 e, alcançou a emancipação em l900.

A municipalização ocorreu pelo empenho de um grupo de cidadãos liderados por Domingos Paganelli. O Decreto nº 327 de 31 de outubro de 1900 de Antonio Augusto Borges de Medeiros, Presidente do Estado do Rio Grande do Sul, elevou Conde D’Eu a vila e município autônomo sob o nome de Garibaldi. O primeiro Intendente (prefeito) provisório foi Jacob Nicolau Ely e eleito pelo voto popular no ano seguinte.

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ALGUNS DESTAQUES
Em 1912 foram instalados no município Agências do Banco Pelotense e um correspondente do Banco da Província.

Em 1918 chegou a Viação Férrea, construída pela “Compagnie Auxiliaire de Chemin de Fer au Brésil”, meio seguro de escoamento para a produção e comunicação com outras cidades. Em 1919 chega em Bento Gonçalves.

A eletricidade é conseguida em 1918 através de uma usina hidráulica. Nos anos seguintes foi instalada uma central telefônica municipal e operada manualmente.

Em 02/03/1938 pelo Decreto Lei de nº 311 do governo Federal a Vila Garibaldi foi elevada à categoria de cidade.

Com o progresso da região em 1959 houve a perda de parte do seu território com diversas emancipações, entre elas Carlos Barbosa, Daltro Filho com o nome de Imigrante.

A grande maioria dos habitantes de Garibaldi de raízes européias destacando-se os italianos, que mantiveram a tradição de trabalho de sol a sol em todas as estações do ano. Com isso conseguiram elevar seu nível de vida no cenário nacional com significativa renda per capita.

RELIGIÃO E CULTURA
A língua dialetal italiana, usos, costumes, tradições e a fé católica foram bagagens importantes para os imigrantes itálicos. Depois de construir suas casas passaram a erigir capelas, oratórios e escolas, em geral de madeira. A assistência religiosa foi confiada ao Pe. João Menegotto coadjuvado pelos capelães Pe. Domingos Palermo e Pe. Domingos Grecca, sediados em Dona Isabel. Em 06/03/1886 foi nomeado vigário de Conde D’Eu o Pe. Bartolomeu Tiecher teve diversos auxiliares. Em 1886 chegaram os Freis Capuchinhos chefiados por Frei Rafael de la Roche, com a missão de atender as necessidades espirituais dos imigrantes dispersos pelos núcleos da região.

A convite de Dom Cláudio Ponce de Leão, chegarem as Irmãs de São José de Chambery em 23/12/1898 para se dedicarem à educação das jovens e aos cuidados da saúde da população. Abriram a escola em 16/18/1898.

No ano de 1899 um grupo de pessoas influentes e preocupadas com a educação e a formação religiosa, decidiram convidar os Irmãos Maristas que 1900 haviam chegado a Bom Princípio.

Um avanço importante foi a criação de capelas ligadas à igreja matriz de São Pedro. Outro fator foi o jornal católico “La Libertà” de Caxias comprado pelo Pe. João Frochetti em 1910. Teve diversas denominações “Il Colono Italiano”, “La stafetta Riograndense” que durante a segunda guerra mundial mudou o nome para Correio Riograndense. Nem tudo foi prosperidade fácil. Eis que em 18/06/1920 o fogo destruiu a igreja matriz. No ano seguinte foi iniciada a construção de novo templo, sendo inaugurado em 15/03/1924 por D. João Becker. Sob a orientação e direção dos Capuchinhos a paróquia de São Pedro de Garibaldi prestou e continua prestando relevantes serviços à religião à cultura, à educação e à saúde do município. Fato a ser destacado é a ampliação do número de capelas, todas perfeitamente estruturadas, com igreja e salão de festas.

A maioria dos imigrantes eram católicos, porém havia núcleos de valdenses que deram origem a outras igrejas. Pode ser destacada a Igreja Evangélica Metodista Episcopal do Brasil, cujos primeiros registros aparecem em 1895 com um templo na vila de Bento Gonçalves. Em Garibaldi havia diversas famílias que ficaram até 1934 quando houve a transferência das oficinas da Viação Férrea para Santa Maria. Em 1954 foi reconstruído o templo em alvenaria onde vem sendo celebrado culto e ações visando a manutenção da chama da fé em Cristo sempre viva.

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EDUCAÇÃO
Nas regiões do Norte da Itália a escola não era muito difundida, mesmo antes dos períodos de imigração. Ao chegarem nas novas terras os imigrantes sentiram a necessidade do que seria um mínimo: ler, escrever e contar. Junto às capelas e em outros aglomerados logo surgiram escolas que, em geral, eram atendidas por professores improvisados. Uma das primeiras, conforme documentação, surgiu em Figueira de Melo no ano de 1877. Outras mais surgiram depois: São Luís de Castro, Coronel Pilar, Presidente Soares, Alencar Araripe, Costa Real, Linha Vitória, para citar algumas.

A convite dos Freis Capuchinhos em 1889 chegaram as Irmãs do São José de Chambery que iniciaram a educação sistemática com a Escola São José, junto ao convento. Outra casa de educação foi iniciativa de um grupo de pessoas influentes e preocupadas com a formação integral dos cidadãos. Decidiram construir um estabelecimento de ensino e, para tanto, dirigiram-se a Bom Princípio onde haviam chegado os Irmãos maristas. Depois de algum tempo de espera, em junho de 1904 chegaram em Garibaldi três Irmãos Maristas: José Sion, Deodato e Paulo Norberto, de origem francesa, iniciando imediatamente as atividades educacionais. Foi a origem do Instituto e depois colégio Santo Antonio e da Granja Pindorama. Foi destaque na região a Escola Normal São José e os cursos para Contadores Técnico de Contabilidade e Guarda Livros do Santo Antonio. Em 1926 foi criado um Grupo Escolar Vila Garibaldi. A escola Santa Inês, criada em 1923 atendia as filhas dos ferroviários.

SAÚDE
Uma séria preocupação dos imigrantes era a questão das doenças e cuidados médicos. Na verdade, no começo da colonização os médicos eram nomeados pelo governo e na região atendiam Conde D’Eu, Dona Isabel, e Caxias. Significa que se pode constatar a precariedade do atendimento dispensado.

A primeira casa de saúde foi criada pelo médico Dino Caneva. Outro médico Júlio Motti atendia principalmente a Sociedade “Stella d’Italia” e mais tarde montou uma clínica por conta própria. Os Postos de Saúde foram criados pelo Poder Público Municipal no decorrer dos anos. Serviços médicos e odontológicos foram estendidos a diversos distritos. A sociedade Hospitalar Beneficente São Pedro, na data de 13/04/1933 criou o hospital utilizando a antiga casa canônica.

Já em 1934 o Hospital São Pedro passou à paróquia, entregando a administração às Irmãs de São José. Desde 1972 passou a ter uma diretoria comunitária e conta com um corpo médico atendendo variadas especialidades.

SOCIEDADE, ARTES E ESPORTES
A vida de trabalho foi o marco dos imigrantes que não contavam com recursos para a diversão. Nas noites de “filó” as famílias se reuniam para algumas atividades práticas, jogo de cartas, a “mora”, as cantorias e as histórias contadas em meio às comidas típicas e do bom e abundante vinho.

Nas capelas havia as festas religiosas, jogo de bochas e as sagras; um encontro que ninguém faltava. Com o andar dos anos surgiram estruturadas, diversificadas atendendo os interesses de grupos e da população em geral. Em 1910 surgiu o Clube Borges de Medeiros, local para festas, recepções e teatros. Em seguida a Banda Santa Cecília que alegrava as atividades, principalmente a festa do padroeiro São Pedro e Nossa Senhora de Lourdes. Algumas agremiações: União dos Moços Católicos, um local para festas, restaurante, clube do Bolão e de bochas; clube Recreio 1º de Maio em l943 e clube 31 de Outubro em 1946; C.T.G Sentinela da Serra em 1982; clube Tiro Caça e Pesca, com sede campestre, também em 1981. No futebol existiu em 1928 Sport Clube Conde D’Eu; em 1940 Grêmio Atlético Guarany.

Garibaldi foi a sede da Primeira Festa da Uva na região da serra realizada em 1913; em 1979 foi instituída a Festa Nacional do Champanhe – FENACHAMP. Outros eventos: Festival Colonial – comidas típicas; festival do vinho e do frango, realização do Lions Clube; semana de Garibaldi – de 25 a 31 de outubro; Moto Clube AGAMO fundado por jovens aficionados ao motociclismo.

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AS COMUNICAÇÕES
A deficiência cultural dos imigrantes não passou desapercebida pelas autoridades e grupos associativos. Em muitas paróquias da região como Caxias, Bento Gonçalves e Garibaldi a necessidade de manter laços culturais e amizade foram sendo supridos ao longo dos anos. As dificuldades políticas e das línguas, foram enfrentadas e superadas pela tenacidade das lideranças religiosas. O Pe. Carmine Fasulo fundou em 13/02/1909 em Caxias o jornal “LA LIBERTÁ”. Os Freis Capuchinhos e alguns católicos tendo comprado o jornal o transferiram para Garibaldi em 1910 alterando, em seguida o nome para “IL COLONO ITALIANO”. No período da primeira guerra mundial houve dificuldades passando a circular como o nome “STAFETTA RIO GRANDENSE”, adotado até 10/00/1941 quando por determinação legal, passou a chamar-se CORREIO RIOGRANDENSE. Em maio de l952 o mesmo foi transferido para Caxias do Sul tendo mais de 50.000 assinantes.

Outro jornal O GARIBALDENSE surgiu em 04/12/1966 que, embora com alguma interrupção presta um serviço à comunidade.

Em 01/09/1981 iniciou a circulação o semanário NOVO TEMPO de propriedade de Promoções e Jornalismo Ltda. O STELLA, um informativo, do Acervo Histórico Cultural do Município iniciou suas atividades em 1993.

As rádios vieram bem mais tarde. A rádio Difusora Garibaldi começou como um serviço de alto-falante em pontos estratégicos sob a direção da União dos Moços Católicos. As lideranças locais finalmente, conseguiram instalar uma emissora que iniciou suas atividades em 04/11/1950.

Na terra do champanhe não poderia faltar a rádio Champanhe FM fundada em 31/10/1981. O rádio amadorismo também faz presença desde 1980. O PX clube da Garibaldi funciona desde 28/08/1981.

O Aeroclube Garibaldi existe desde 1945 e presta serviços na sua modalidade bem como ao lazer.

A telefonia foi iniciada em 03/01/1911 sendo modernizada gradativamente com equipamento semi-automático em 1966 e automatizada em 1978.

O acesso às colônias Conde D’Eu, Dna Isabel e Alfredo Chaves, no começo da colonização era feita pela Estrada Geral. Fator importante para a integração do agricultor, dando acesso aos mercados. Mais tarde, foi chamada Estrada Buarque de Macedo, importante rodovia, saindo de Montenegro atravessa a região serrana chegando até Lagoa Vermelha. A RST 470 posterior, resolveu satisfatoriamente o transporte para a região.

A ferrovia em Garibaldi chegava em l918 facilitando o transporte de cargas e passageiros. Embora tivesse no local, oficinas bem montadas, por decisão da direção da Viação Férrea(VFRGS), foram transferidas para Santa Maria, ponto central no Estado.

EMPREENDIMENTOS
Numa colônia onde tudo estava por ser feito o imigrante não era somente agricultor mas também ferreiro, marceneiro, artesão, pedreiro, sapateiro, funileiro e outros serviços fundamentais. Merecem destaque as pequenas iniciativas em moinhos, alambiques, marcenarias e uma indústria que foi notável: Fundição de Sinos da propriedade de Giovani Bellini, em 1877. Os Sinos Bellini, foram medalha de ouro na Exposição Internacional, ocorrida no Rio de Janeiro em 1922. Em 1954 a Fundição Bellini se transferiu para Canoas. Heitor Truccolo Cia. Ltda., em 1929 iniciou atividades como funileiro e acabou, pelo seu espírito inventivo, fabricando tampas metálicas, cápsulas para garrafas e cápsulas para champanhe. Atendendo necessidade da região foi fundada em 04/04/1942 a Cooperativa Agrícola Cairú Ltda. por um grupo de agricultores com o objetivo de obter melhor rendimento na venda de seus produtos em especial o trigo. Posteriormente foi construído um silo, uma loja agropecuária e um supermercado.

O primeiro hotel, Casa Curta, de iniciativa familiar, foi empreendido visando atender imigrantes e viajantes. Outro hotel Faraon, iniciou suas atividades em 1884, posteriormente surgiu no local um prédio de apartamentos. O hotel Pieta foi inicialmente uma pensão e depois reformado, oferecendo 50 apartamentos e 4 suites.

VINHOS E CHAMPANHES/ESPUMANTES
A região montanhosa da serra, vales e colinas e com terras férteis possibilitaram o cultivo de trigo, milho e da parreira, trazia pelos imigrantes. O copo de vinho il bichier não poderia faltar nas refeições e nas partidas de bochas, mora, baralho e nos filós. Nos primeiro anos o cultivo atendia às necessidades do plantador. Com o andar do tempo surgiram as pequenas cantinas que recebiam uvas e vendiam vinhos. Alguns pioneiros merecem destaque.

VINHOS CONDE D’EU – PINDORAMA
Em 1904 Garibaldi acolhia os Irmãos Maristas de origem francesa e da região dos vinhos. Aqui, os Irmãos Pacômio e Ir. José Sion, plantaram vinhas(1905) para obter vinho visando o consumo interno. Em 25/03/1911 o Ir. Sinforiano, atendendo necessidades, fundou a Granja Pindorama ( terra das palmeiras)- a primeira cantina da região, dando ao vinho o nome Conde D’Eu, com a rigorosa fabricação, pois se destinava à celebração da missa, sendo conhecido em todo o Brasil. Na 1ª Exposição de Uvas do Município de Garibaldi 1913 a uva Pindorama ficou entre as 10 melhores dos 133 expositores e medalha de prata no vinho tinto. O aprimoramento da fabricação do vinho prosseguiu e na 2ª Exposição de Garibaldi em 1914 obteve medalha de ouro, de prata e de bronze. A ampliação da cantina prosseguiu, assim como, o cultivo de parreiras. Como resultado da melhoria de qualidade das uvas e dos vinhos, mais premiações foram conquistadas. Na verdade, os Irmãos Maristas em 1918 já tinham introduzido o cultivo de 54 qualidades de uvas finas produzindo o excelente vinho Barbera, tipo Reno. Mais prêmios foram conquistados em diversas exposições inclusive na Grande Exposição Internacional do Centenário da Independência – 1922/1923 recebendo a Grande Medalha. O cultivo de ervas medicinais passou a ser mais uma atividade, visando produzir licores, destacando-se um Vermute e a medicinal “Pacomienne”. O Ir. Pacômio, aproveitando sua estada na França em 1923 verificou as novidades em maquinaria e qualidades finas para serem aproveitadas. Em 1950 a Granja Pindorama contava com 100 espécies da uvas. Em função de circunstâncias próprias dos tempos, os Irmãos Maristas encerraram suas atividades da fabricação de vinhos em 1978 porém conscientes da grande contribuição dada aos vitivinicultores da região.

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VINÍCOLA PETERLONGO
Proveniente do Tirol italiano a família de Manoel Peterlongo tinha o sonho de produzir em Garibaldi vinhos com a qualidade européia. Por volta de 1913 o sonho começa a se tornar realidade com a forte colaboração do Ir. Pacômio que, utilizando o processo de fermentação natural na própria garrafa, denominado “Champenoise”. Manoel produziu o primeiro champanhe brasileiro. A primeira exposição de Uvas de Garibaldi foi realizada de 24 a 26/02/1913 quando Peterlongo consegue medalha de ouro pelo seu produto. Já em 1942 é feita a primeira exposição de produtos agrícolas com destaque do Magazine Macy’s de Nova York como comprador do champanhe. Hoje os sucessores mantém linha e qualidade nos produtos Peterlongo.

COOPERATIVA VINÍCOLA GARIBALDI
Um grupo de 73 viticultores, em 22/01/1931 fundaram a Cooperativa Agrícola de Garibaldi. No relatório de 1934 consta que a produção foi de 2.500.000 litros e a declaração:

“Tutto questo ci induce a credere che nel 1935 Deo adjuvante, seremo più de 300 soci e con una produzione superiore ai 3.000.000 de litri. Ecco quanto ci riserva l’avvenire”. (Stafetta Riograndense, 1934). Destaca-se como uma das maiores vinícolas com uma capacidade de estocagem superior a 40.000.000 de litros de vinho em diversas variedades.

ROSSONI S/A
O segredo de Guerino Rossoni eram as boas idéias numa região inexplorada. Pelos anos de 1935 foram dados passos no setor de oliveira e maçã. O sucesso parcial obrigou a mudança de direção de forma inteligente. A maçã passou então a ser a base da produção de derivados: suco, sidra, vinagre e outros que aliados ao vinho, deram bases sólidas à empresa.

AUBERT S/A
No ano de 1950 quatro amigos liderados por Georges Aubert aceitaram o convite feito pelo Ir. José Otão para virem fabricar champanhe em Garibaldi, onde já havia a tradição no setor. Utilizando método “charmat” ou seja fermentação em autoclave obteve grande êxito no mercado brasileiro. Vinhos e licores além do champanhe fazem parte da produção da Georges Aubert S/A.

MARTINI ROSSI E DE LANTIER
Empresa conhecida em outros países chegou a São Paulo – Brasil, em 1951. ciente do potencial enológico da região em 1974 adquiriu um estabelecimento em Garibaldi onde iniciou a produção do champanhe De Greville. Outros produtos foram associados em especial os Vermutes. A razão social em 1989 passou a ser De Lantier Vinhos Finos Ltda.

CHANDON & MOET
O resultado da associação de empresas nasce a Moet & Chandon com a finalidade de produzir champanhe de primeira linha utilizando o processo denominado “Assemblage”. À excelente qualidade do produto seguiram-se outros vinhos conhecidos com o nome Chandon.

FORESTIER
De origem canadense a Forestier instalou-se em Garibaldi em 1973 graças à oferta de terreno situado junto ao Distrito Industrial. Importou 57 variedades realizando a primeira vinificação em 1980. Nos anos seguintes foram lançados novos produtos, destacando-se o champanhe, com a instalação da adega de pedra onde o turista é recepcionado e pode degustar os bons vinhos.

HINO ÀS UVAS
Para encerrar este breve histórico pode ser interessante conhecer o HINO ÀS UVAS, letra do Coronel Affonso Aurélio Porto e a música do maestro F. Zani, por ocasião da primeira festa da uva, nos dias 24, 25 e 26 de fevereiro de 1913.

A terra se enfeita de flores
E os noivos se entreolham felizes
Passadas a vindima, os amores…
Deus Nosso Senhor os bendizes!

Coro: Que de uvas se engrinalde
Teu solo, amado torrão,
Fazendo de Garibaldi
A terra da Promissão

Vinho novo! o sangue da uva
Correndo na seiva da terra
A tonificar como a chuva
Que só esperanças encerra.

Saibamos amar com carinho
O beijo celeste que traz
O sangue de Deus, feito vinho,
a festa do Amor e da Paz.

Até junto ao altar elevado…
No cálice divino te avisto.
Símbolo do sangue sagrado
De Nosso Senhor Jesus Cristo.

Para saber mais:
História da Garibaldi – Ir. Elvo Clemente e Maura Ungaretti – Edipucrs Porto alegre, 1993

Fatos e Retratos – Lino Bortolini – Curitiba, Editora Champagnat, 2000

Bortolini – Canello, Grécia e Marsura – Armando Luiz Bortolini – Porto Alegre, Evangraf, 1995

Enciclopédia Riograndense 1º volume – Klaus Becker – Canos, Editora Regional Ltda. 1956

Antropologia Visual da Imigração Italiana do Rio Grande do Sul – Rovílio Costa e outros – Porto Alegre, EST Edições, 1976.

As Colônias Italianas Dona Isabel e Conde D’Eu – Rovílio Costa – Porto Alegre, EST Edições – 1992.

Ir. Armando Luiz Bortolini
artolini@pucrs.br